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UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA UFSC Fernando César Moraes Hélio Lemes Costa Jr. Lílian Maria Ribeiro Conde Marina Pimenta Baldan Wendt Paulo Roberto Rodrigues Souza Relatório da Oficina de Ergonomia da Informática Prof. Walter de Abreu Cybis Introdução Trata-se de uma oficina, cujo objetivo é projetar e/ou construir uma ferramenta informatizada, observando as recomendações ergonômicas, que facilitem o seu uso. Para a realização deste trabalho foi organizado um grupo composto, basicamente de professores, principalmente da área de exatas. Todas as decisões foram tomadas em consenso e todo o desenvolvimento das ferramentas ocorreu durante uma série de quatro reuniões, que contaram com a participação de todos os componentes. Após estas reuniões, nosso trabalho foi apresentado previamente aos colegas de curso, durante um seminário apresentado pelo grupo sobre Métodos de Avaliação de Usabilidade, na sala de vídeo-conferência da TELEMAR em Varginha MG, com transmissão direta para o LED (Laboratório de Ensino a Distância) em Florianópolis SC, onde o professor Cybis assistia à apresentação. Nesta oportunidade algumas observações feitas durante a apresentação provocaram alterações no projeto inicial, exigindo algumas transformações nas interfaces construídas. Uma quinta reunião foi realizada, para que as alterações fossem discutidas e efetuadas. Ainda antes do envio do trabalho acabado, houve uma última reunião contando com a tele-presença do professor para discussão dos últimos detalhes sobre o projeto. A seguir descrevemos sucintamente o que se sucedeu durante as reuniões e quais foram as conclusões alcançadas pelo grupo ao término no trabalho. 1ª reunião A equipe promoveu um brainstorm onde diversas sugestões surgiram e foram consideradas, sobre diversos assuntos relacionados à usabilidade do software. Entretanto, dentre todas as opções, a que recebeu maior pontuação, foi a automação do processo de avaliação da qualidade do atendimento da UNIMED Varginha. A empresa possui um formulário, que foi criado pelo seu "Grupo de Análise de Reclamações/Sugestões" e que se chama "Questionário Para Serviços de Pós-Atendimento" (vide anexo I). Um dos fatores que nos levou a esta escolha, foi a facilidade de acesso ao material, pois um dos integrantes do grupo trabalha na referida empresa. Decidimos que a estratégia do grupo para a realização do trabalho seria a seguinte:
O integrante do grupo que trabalha na UNIMED, ficou encarregado de trazer uma cópia do formulário utilizado na empresa para a próxima reunião e realizar um entrevista com o "Grupo de Análise de Reclamações/Sugestões", para avaliar se eles sentem necessidade de fazer alguma alteração no formulário atual. Ainda nesta reunião, foi decidido que os formulários seriam criados utilizando-se a linguagem de programação Visual Basic 5.0, pois esta é uma ferramenta já dominada por dois integrantes do grupo, o que agilizou o processo de criação dos formulários. 2ª reunião O integrante do grupo trouxe o formulário atualmente utilizado na empresa, para que fosse avaliado pelos demais integrantes. Os pontos positivos e negativos do formulário foram discutidos e foi feito um relato de quais são os principais obstáculos encontrados pelo "Grupo de Análise de Reclamações/Sugestões" para trabalhar com os resultados obtidos a partir do formulário atual. Em sua entrevista o integrante do nosso grupo constatou que:
Estas reclamações foram consideradas durante a especificação do segundo formulário. Ainda nesta reunião, o grupo discutiu o que deveria ser mantido e o que deveria ser substituído ou melhorado de um formulário para o outro. Fizemos um projeto das duas interfaces no papel, desenhando a distribuição da informação, a utilização das cores e os recursos que seriam utilizados. Todos do grupo opinaram sobre todos os elementos e o processo de criação foi bastante rico e interativo. 3ª reunião
Nesta reunião o grupo se juntou ao redor do computador para construir as interfaces. A primeira interface foi apenas a transcrição do que já existia no formulário original (salvo pequenas modificações) para a linguagem Visual Basic, já o segundo formulário exigiu que fizéssemos diversas intervenções e muitas novas idéias surgiram durante sua construção. Na criação deste segundo formulário, todo o grupo foi capaz de constatar como mudaram seus conceitos sobre facilidade de uso e todos perceberam a razão pela qual a preocupação com o usuário do software deve ser uma constante durante a criação de uma interface.
O segundo formulário levou consideravelmente mais tempo para ser construído e muitas opiniões foram divergentes, entretanto, no final houve consenso sobre qual caminho seguir. Fizemos uma rápida comparação entre os dois formulários e consideramos a possibilidade de apresentá-los ao professor e aos colegas do curso, já que teríamos esta oportunidade ainda naquela semana, durante a apresentação de um seminário sobre Métodos de Avaliação de Software. O grupo concordou que seria uma ótima oportunidade para verificarmos se estávamos no caminho certo, ou se seriam necessárias alterações de "rota" no nosso trabalho na oficina. Ainda nesta reunião, optamos por convidar um usuário leigo para testar a usabilidade dos dois protótipos durante a aula. A apresentação No final da apresentação do seminário, que se realizou na sala de vídeo-conferência da TELEMAR em Varginha, solicitamos autorização ao professor para realizar a experiência, convidamos uma colega de curso para avaliar os protótipos e não interferimos durante a experiência. No primeiro formulário, a usuária teve grande dificuldade em preencher os campos, principalmente aqueles que exigiam respostas escritas, pois a usuária não sabia o que se esperava que ela respondesse. A seguir, a usuária passou para o segundo formulário e, para nossa surpresa, também apresentou alguma dificuldade no seu preenchimento. Os símbolos deixados dentro do campo referente à data causaram confusão e dificuldade à usuária, principalmente devido à sua inexperiência em relação ao uso do mouse. Depois da experiência, a usuária fez um relato, no qual afirmou ter sentido mais dificuldade no uso do primeiro formulário que no segundo. Entretanto, para o grupo, a experiência provou que devíamos fazer uma revisão no formulário que nós considerávamos ergonômico e que apresentou dificuldades para o usuário diante de uma situação fora do nosso controle. Para esta finalidade foi marcada uma quarta reunião. 4ª reunião O grupo decidiu criar um terceiro formulário obedecendo às observações feitas pela usuária e pelo professor. A este terceiro formulário, demos o nome de Ergonômico Revisado. Avaliamos as possibilidades disponíveis para melhoria da ergonomia e, dentro dos recursos de software e hardware disponíveis, cremos que criamos um formulário de boa usabilidade.
5ª reunião Houve ainda uma última oportunidade de discutirmos a oficina com o professor. Desta vez apenas os cinco integrantes do nosso grupo na sala de vídeo-conferência da FEPESMIG em Varginha e o professor no LED em Florianópolis. Nesta oportunidade, relatamos oralmente o que aqui está descrito e recebemos mais algumas sugestões para a finalização do trabalho. Conclusão O grupo heterogêneo, formado por profissionais de formação específica em informática e de outros em áreas como matemática, psicologia e administração obteve uma perfeita integração na realização desta oficina. Todos nós obtivemos um crescimento perceptível em relação à disciplina em questão. O objetivo do trabalho foi plenamente atingido, já que todos puderam vivenciar na prática, todo o processo de criação de um software. Desde sua modelagem do mundo real até sua implementação e testes. O conceito de usabilidade dos sistemas informatizados, ficou perfeitamente claro após a experiência prática de desenvolver um software e entregá-lo para o uso de um leigo. Nossa equipe se reuniu e tomou várias decisões que são comuns no dia-a-dia dos desenvolvedores e projetistas de software. Apesar da tarefa ser simples: automatizar o preenchimento de um formulário já existente, nós pudemos experimentar alguns obstáculos que se interpôem diante de nós, durante a criação de uma interface. Concluímos que os efeitos desta oficina sobre os integrantes do grupo foram reveladores, tanto para os integrantes leigos em informática, como para os profissionais largamente experimentados na área de programação de computadores. Foi uma experiência muito enriquecedora para todos que dela participaram. A experiência serviu para reforçar a idéia de que apenas em uma avaliação real, com a participação efetiva do usuário final é que podemos atestar a usabilidade de um software. O que parece estar extremamente claro para o desenvolvedor, muitas vezes é incompreensível a um usuário inexperiente. |